Consolidar o Porto de Vitória como hub logístico do Espírito Santo é o maior legado que o novo diretor-presidente da Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa), Bruno Fardin, quer imprimir em sua gestão. Ex-diretor de Planejamento e Desenvolvimento (Dirpad) da empresa, Fardin assume a presidência com dois desafios que ele próprio destacou: manter a sustentabilidade financeira da companhia e conduzir uma transição “suave” junto à Quadra Capital, futura gestora privada da Codesa.

Fardin assumiu a presidência no lugar de Julio Castiglioni, que pediu exoneração após cumprir a missão que culminou com a privatização das docas. O nome de Fardin foi homologado em reunião extraordinária do Conselho de Administração (Consad), no último dia 28 de abril, quando também foi aprovado o nome da portuária Raquel Guimarães para responder pela Dirpad.

“Agradeço ter sido alçado a um desafio maior. Com humildade recebo o cargo e confio nesse time. Vamos imprimir uma transição suave para a chegada do novo concessionário”, anunciou o novo diretor-presidente na ocasião.

A reunião do Consad, presidida por Daniel Aldigueri, teve quórum completo, com a participação presencial de seis conselheiros – Henrique Amarante da Costa Pinto, Davi Emery Cade, Mário Natali, Moacir Rezende Cordeiro e Paulo Vieira Pinto – e da conselheira Mariana Pescatori, por videoconferência.

Antes de homologar os nomes de Bruno Fardin e Raquel Guimarães, o conselho acatou os pedidos de exoneração do ex-presidente Julio Castiglioni e do ex-diretor de Infraestrutura e Operações, João Augusto da Cunha Lima.

Fardin assume a administração da companhia docas em uma fase inédita. Ele conduzirá o primeiro processo de transição de uma estatal portuária para a gestão privada no Brasil.

A Codesa foi privatizada após 116 anos como empresa pública. O fundo de investimentos multiestratégia FIP Shelf 119, da Quadra Capital, arrematou a Codesa com oferta de R$ 106 milhões, assumindo a concessão dos portos de Vitória e Barra do Riacho. O leilão ocorreu na Bolsa de Valores de São Paulo (B3), no último dia 30 de março, quando a FIP Shelf 119 superou o Consórcio Beira Mar. É a primeira privatização portuária do País.

O contrato é de 35 anos, podendo ser prorrogado por mais cinco, e os investimentos previstos são da ordem de R$ 334,8 milhões na infraestrutura, além da possibilidade de exploração de novas áreas. Em entrevista ao jornal e portal BE News, Fardin falou sobre a sua gestão e, também, sobre o processo de transição da gestão da companhia.

Quais são os planos para a sua gestão?

Dar continuidade à gestão de maximização de receita e qualificação do custeio da empresa para manter os altos níveis de sustentabilidade financeira da companhia, e fortalecer a imagem do Porto de Vitória para se consolidar cada vez mais como solução logística portuária do Espírito Santo e opção de escolha preferencial de seus clientes. E conduzir, por parte da Autoridade Portuária, o processo de transição de maneira harmônica até a assinatura do contrato de concessão pelo novo administrador privado do Porto de Vitória.

Quais são os projetos que terão continuidade?

Ainda é prematuro dizer quais projetos estratégicos terão continuidade, visto que ainda se iniciarão os entendimentos com o novo administrador privado, quando será definido o novo planejamento estratégico da empresa. Porém, o novo administrador tem uma série de projetos compulsórios a serem implementados que compõem o caderno de encargos da concessão.

Quando se encerrará a sua gestão na presidência da Codesa?

Não há uma definição para este prazo.

O senhor compôs o grupo de trabalho que tratou da desestatização da Codesa, juntamente com o seu antecessor, Julio Castiglioni?

Sim, junto com o Julio Castiglioni, compus o grupo de trabalho de modelagem da desestatização.

Já foi criado um grupo de trabalho para tratar da transição da gestão da Companhia Docas para a nova concessionária?

Está em processo de criação, visto que o detentor da melhor proposta, Quadra Capital, está em processo de homologação do certame.

Quais os entes que vão participar desse grupo de trabalho? Há um cronograma de reuniões previsto para tratar dessa transição?

Ainda em definição.

Quando o contrato da nova concessionária será assinado? E quando efetivamente iniciará a gestão privada?

O cronograma oficial do edital de desestatização da Codesa, publicado no site do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), prevê que a assinatura do contrato será até 22 de agosto. A partir da assinatura do contrato e sua publicação no Diário Oficial da União (DOU), efetivamente iniciará a gestão privada.

Em sua participação no fórum regional Sudeste Export, promovido pelo Brasil Export - Fórum Nacional de Logística e Infraestrutura Portuária, o senhor disse que o modelo de desestatização da Codesa permitirá redução de tarifas, sendo 65% nas tarifas da tabela 1 e 25% na tabela 3. Isso será discutido nas reuniões de transição com a Quadra Capital?

Sim, porém isso é uma obrigação do concessionário já definida no contrato de concessão a ser assinado.

 

Currículo

Bruno Luciano Fardin é engenheiro eletricista, formado pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), cursou MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), Programa de Desenvolvimento de Executivos (PDE) e Programa para Capacitação de Resultados e Gestão de Pessoas (PCR) pela Fundação Dom Cabral (FDC). Ingressou como trainee em empresa de grande porte na área industrial e atuou em posição de liderança desde 2007. Desde 2019, ocupava o cargo de diretor de Planejamento e Desenvolvimento da Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa). Em 28 de abril de 2022, assumiu o cargo de diretor-presidente da Codesa.

 

Matéria extraída na íntegra do jornal Be News. Escrita por Bárbara Farias.

 

Coordenação de Comunicação da CODESA

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