Publicada em 30/10/2006
No ano em que comemora 100 anos o Porto de Vitória bate recorde de movimentação de mármore e granito. Foram mais de 156 mil toneladas do material que, depois de Ferro Gusa, ficaram na frente de todos os outros produtos que passaram pelo Porto neste mês. Outro fato importante foi a operação pioneira no embarque do álcool. O embarque das 5,4 mil toneladas de álcool etílico hidratado foi feito diretamente dos caminhões para o navio.
 
Como a Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa) não conta ainda com uma instalação própria, com disposição de tancagem e torres de bombeamento do granel líquido, a descarga do produto exigiu a contratação de seguro que cubra todos os riscos e planejamento logístico.
 
"Foi um desafio para o porto, que não tem uma instalação apropriada para este tipo de operação. Foi um teste para o desafio que teremos com o aquecimento do mercado do álcool. O Porto de Vitória tem que se preparar para isso", disse, o diretor presidente do Porto, Henrique Zimmer.
 
Da operação surgiu a solicitação de proposta da empresa de engenharia Lasa S.A., que tem experiência neste tipo de embarque, monte uma base próxima ao Porto de Vitória. Outro investimento é da operadora logística Oil Tank que vai instalar o sistema de tancagem numa área de propriedade da Companhia Vale do Rio Doce, vizinha ao Porto. "A parceria já está consolidada e vai trazer mais movimentação".
 
Mas nem tudo são flores, Zimmer lembra que o marco regulatório segue como um problema para o porto, pois "nenhum operador aguarda". O Porto de Vitória, juntamente com as demais instalações de Regência, Barra do Riacho, Praia Mole, Tubarão e Ubu, constitui o Complexo Portuário do Espírito Santo. Segundo Zimmer, ele é altamente competitivo. "Mas a gente sobreviveu, porque novas coisas aconteceram", disse. Para ele o Porto de Vitória é um laboratório de cargas para todo o complexo capixaba.
 
De acordo com dados da Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa), os portos capixabas são responsáveis por 9,13% de todo o valor exportado pelo país e 4,95% de todo o valor importado, sendo o segundo maior complexo exportador em valor e o sétimo maior importador, do brasil.
 
O diretor presidente acredita que o porto público serve como um agente equilibrador. "Quando há uma dificuldade em outro terminal, vem procurar a gente". No acumulado dos nove primeiros meses, a movimentação total cresceu 6,64%. De janeiro a setembro de 2006 foram movimentadas 5 milhões de toneladas. No comparativo dos meses de setembro de 2006 e 2005 houve um acréscimo de 16%.
 
Zimmer disse ao NetMarinha que a maior parte das obras previstas para o ano de 2006 foram realizadas, mas que ainda falta muito para que ele fique "como se diz na vitrine". "Faremos novas prescrições, sinalizações e acessos", disse, mas salientou que depende da ANTAQ, "que ficou acéfala por muito tempo".
 
De acordo com Zimmer, o grande desafio para o ano que vêm é o projeto de Barra do Riacho. Está em curso o processo de arrendamento à CODESA do Porto de Barra do Riacho, o único porto abrigado artificialmente do país ainda não utilizado. Barra do Riacho possui uma localização privilegiada em relação ao litoral brasileiro e um grande potencial polimodal
 
HISTÓRICO - O Porto de Vitória foi construído como alternativa para o Porto de Itapemirim, que não comportava mais o volume da produção agrícola, especialmente da cana-de-açúcar. O projeto, de 1870, previa a construção de um atracadouro, denominado Cais do Imperador, na parte sul da Ilha de Vitória. Em 28 de março de 1906, o governo federal autorizou a Companhia Porto de Vitória (CPV) a implantar novas instalações no mesmo local, ficando a cargo da empresa C. H. Walker & Co. Ltda a execução de 1.130 metros de cais. As obras, no entanto, foram interrompidas em 1914. (Fonte: Maria Fernanda Ziegler /Net Marinha)

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